

Uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na zona sul de São Paulo, foi denunciada ao Ministério Público por suspeita de racismo. A exposição mostrava manequins negros usando aventais e simulando o atendimento a manequins brancos vestidos para uma festa.
A representação foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), na terça-feira (3), e provocou repercussão nas redes sociais.
Especialistas e entidades que atuam no combate à discriminação racial criticaram a composição. Segundo as avaliações, a disposição dos manequins reforçava estereótipos ao associar pessoas negras a funções de serviço e pessoas brancas ao luxo e ao prestígio.
O advogado Hédio Silva Jr., fundador da organização Jusracial, afirmou que a montagem reproduzia uma representação de subalternidade racial. Já Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, apontou a associação simbólica entre pessoas brancas e posições de destaque.
Loja se manifesta e muda exposição
Em nota, a Arthur Caliman negou intenção discriminatória e afirmou repudiar qualquer forma de racismo. A empresa alegou que a escolha dos manequins tinha como objetivo criar contraste visual entre as cores das roupas.
Após a repercussão, a loja informou que substituiu o manequim questionado e lamentou o desconforto causado pela exposição.
O Ministério Público recebeu a representação, mas ainda não há conclusão sobre o caso.

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