

O Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 610,3 bilhões para financiar o agronegócio brasileiro. Apesar do aumento no volume total de recursos, produtores rurais ainda enfrentam dificuldades para conseguir crédito em condições acessíveis, principalmente para custear a produção.
Um dos principais pontos de atenção está justamente no crédito destinado ao custeio e à comercialização. O valor caiu de R$ 414,7 bilhões no ciclo anterior para R$ 384,9 bilhões na nova safra. Esses recursos são utilizados para despesas como sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e mão de obra.
Enquanto isso, as linhas destinadas a investimentos cresceram mais de 38%, com recursos para máquinas, irrigação, armazenagem e infraestrutura.
Para o advogado Eliseu Silveira, especialista em recuperação judicial, a diferença entre crédito para investimento e dinheiro disponível para manter a produção pode pesar principalmente para agricultores que já enfrentam dificuldades financeiras.
O cenário também é marcado pelo aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 474 pedidos envolvendo o agronegócio, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Entre produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, o crescimento chegou a 73,5%.
Além dos juros e dos custos de produção, os produtores precisam lidar com critérios de análise de risco, exigência de garantias e avaliação da capacidade de pagamento por parte das instituições financeiras.
O especialista alerta ainda que contratar um novo empréstimo não significa necessariamente solucionar problemas financeiros. Quando o crédito é usado apenas para cobrir dívidas anteriores, sem uma estratégia de reorganização, o endividamento pode aumentar.
A recomendação é que o produtor avalie todas as dívidas existentes, incluindo valores, prazos, juros e garantias, além de analisar a capacidade real de geração de receita da propriedade antes de assumir novos compromissos.
Nesse cenário, o desafio para o produtor não está apenas no volume anunciado pelo governo, mas também nas condições efetivamente oferecidas pelos bancos e na capacidade de acesso aos recursos.
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