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A política brasileira é pródiga em ironias, mas poucas são tão constrangedoras quanto a situação atual do governador Ronaldo Caiado. O mesmo político que, no passado, atacou duramente Gilberto Kassab, chamando-o de “cafetão do Planalto”, agora se abriga justamente no partido comandado por ele: o PSD.

🔹 Fome de poder

Gilberto Kassab é um jogador experiente e pragmático. O PSD tornou-se o coração do chamado centrão — um partido sem identidade ideológica fixa, que apoia quem está no poder e transforma instabilidade política em moeda de troca. Hoje, a sigla já controla três ministérios no governo Lula e trabalha para ampliar ainda mais sua influência.

🔹 Peça no tabuleiro

Caiado, por sua vez, não ultrapassa a casa de 1,5% nas pesquisas eleitorais, mesmo após um longo período de pré-campanha presidencial. Seu nome não cresce, não mobiliza e não empolga o eleitorado.

Ainda assim, interessa ao PSD como instrumento de pressão: uma figura ruidosa, polêmica, capaz de gerar tensão no Congresso e fortalecer o poder de barganha do partido junto ao governo federal.

🔹 A lógica do jogo

Quanto maior o potencial de conflito que Kassab carrega à mesa, maior é sua capacidade de negociação por cargos e ministérios. Nesse contexto, Caiado entra como peça estratégica — não como protagonista.

A lógica é simples: o PSD opera na política do “quanto mais instabilidade eu represento, mais poder eu negocio”. E, nesse jogo, Caiado deixa de ser ator principal para se tornar apenas mais uma ferramenta dentro do projeto de poder do centrão.

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