Corpo de brasileira que caiu durante trilha em vulcão na Indonésia chega ao Rio na noite desta terça-feira


Corpo de Juliana Marins passará por nova autópsia no Brasil após queda em trilha na Indonésia
O corpo da publicitária brasileira Juliana Marins, que morreu após cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, passará por uma nova autópsia na manhã desta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Polícia Civil pouco antes do pouso da aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que trouxe os restos mortais ao Brasil, na noite de terça-feira (1º).
A nova perícia foi solicitada pela família e autorizada pela Justiça Federal após um acordo entre a Advocacia-Geral da União (AGU), a Defensoria Pública da União (DPU) e o governo do estado. O procedimento contará com a presença de um perito da Polícia Federal e de um representante da família.
O objetivo da nova autópsia é esclarecer pontos que ficaram em aberto no laudo realizado na Indonésia, como o momento exato da morte e possíveis falhas no socorro. A Defensoria Pública destacou que o atestado de óbito emitido pela Embaixada do Brasil em Jacarta, com base na autópsia feita no país asiático, não traz informações conclusivas sobre o horário do falecimento.
A irmã da publicitária, Mariana Marins, afirmou que a decisão de solicitar a nova perícia não foi fácil, mas necessária diante das dúvidas e suspeitas de negligência no resgate:
— Foram muitos descasos. Não queríamos passar por isso, mas entendemos ser necessário para saber o que realmente aconteceu com a Juliana.
Detalhes do laudo indonésio e pontos ainda sem resposta
A primeira autópsia foi realizada na quinta-feira passada (26) pelo Hospital Bali Mandara, cinco dias após o acidente. O laudo apontou trauma com múltiplas fraturas, lesões em órgãos internos e hemorragia intensa como causa da morte. Segundo o legista indonésio, Juliana teria morrido cerca de 20 minutos após sofrer os ferimentos.
Apesar das informações detalhadas, diversos pontos permanecem obscuros:
- Tempo de vida após a queda: Imagens gravadas por turistas mostram Juliana ainda com movimentos horas após a queda, o que levanta dúvidas sobre o momento da morte.
- Local exato do acidente: Não está definido se a morte ocorreu após a primeira ou uma eventual segunda queda.
- Diferença de versões: Enquanto o médico legista estima que Juliana tenha morrido entre 1h e 13h do dia 25 de junho, a equipe de resgate da Indonésia informou que encontrou o corpo já sem vida no final da noite de terça-feira (24).
- Possibilidade de hipotermia: A causa foi descartada pelo legista, mas ele admitiu que o estado avançado de decomposição impediu exames conclusivos sobre isso.
- Número de quedas ou impactos: O laudo cita múltiplas escoriações, mas não especifica se foram causadas por uma ou mais quedas.
Chegada ao Brasil
O corpo de Juliana chegou ao Rio uma semana após sua morte. Ele foi transportado em um avião C-105 da FAB, que decolou do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, às 18h40 e pousou na Base Aérea do Galeão por volta das 19h40. O traslado da Indonésia até o Brasil foi feito com apoio da companhia aérea Emirates.
Familiares, incluindo uma prima que esteve com o pai de Juliana na Indonésia, acompanharam o desembarque emocionados. O pai, Manoel Marins, desabafou:
— É uma sensação de alívio. Agora podemos dar a esse infortúnio um encerramento digno.
A nova autópsia, segundo a DPU, é essencial para preservar elementos que possam esclarecer com precisão os últimos momentos de Juliana Marins.

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