

A recente decisão dos Estados Unidos de impor sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros já está causando estragos no mercado de trabalho. Setores como madeira, calçados e armamentos sentiram imediatamente o impacto e começaram a adotar medidas emergenciais para reduzir custos.
Em várias regiões do país, empresas anunciaram férias coletivas como forma de ganhar tempo e evitar demissões em massa. A madeireira Millpar, segunda maior do setor, suspendeu as atividades em sua unidade de Quedas do Iguaçu (PR) e transferiu parte da produção para Guarapuava. No Rio Grande do Sul, a Polimetal – fornecedora da Taurus – colocou 33 dos 50 funcionários em férias, enquanto a própria Taurus já estuda deslocar parte da produção para os EUA para contornar as tarifas.
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) alerta que essas medidas podem segurar empregos apenas por “uma ou duas semanas”. Se não houver alternativas rápidas, demissões em larga escala serão inevitáveis.
Entre as soluções em estudo estão banco de horas, antecipação de feriados, acordos coletivos e até Programas de Demissão Voluntária (PDV). A Abicalçados, entidade do setor de calçados, sugeriu ao governo mecanismos de redução proporcional de jornada e salário, além de suspensão temporária de contratos com auxílio financeiro da União.
O governo federal anunciou uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para exportadores prejudicados, mas a liberação dos recursos depende da garantia de manutenção dos empregos. Empresários, no entanto, reclamam da falta de clareza sobre prazos e condições para acessar o dinheiro.
Nos polos industriais mais dependentes do mercado americano, como os de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o clima é de incerteza. “Estamos tentando segurar o máximo possível, mas sem um apoio concreto não há como manter todos os postos de trabalho”, afirmou um dirigente setorial.
Por enquanto, férias coletivas se tornaram a principal estratégia de sobrevivência. Mas, se o cenário externo não mudar e as medidas internas demorarem a sair do papel, as demissões deixarão de ser apenas uma possibilidade para se tornar realidade.

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